domingo, 2 de julho de 2017

COMO DE UM MOTE SE DESENHA A GLOTE * PARA GUSTAVO.., Gustavo Marinho: A percepção do chão existe enquanto houver a gravidade por aí...a maioria dos brasileiros não tem muita ideia sobre o que é uma edícula.....

A maioria dos brasileiros não sabe o que é edícula
mas aos domingos tira a cutícula
No cafundó, mocó, cafofo, na comunidade
e favela, 
A maioria dos brasileiros tem tevê e tem tela!
A maioria dos brasileiros não sabe questiúncula,
Nem se cabe na porciúncula,
Duma estatística pra inglês não ver.
E nem tem percepção do chão
Porque o chão nem é questão de pão
Nem de somenos, pois ele não é mais, tem sido menos.
O chão diz a psicóloga que não falte no desenho!
Um chão pode ser o vão no coração partido
Na raiz arrancada, na sua vala gelada.
Brasileiro é parte do todo pra quem não tem toldo.
E na infância uns dormem sob a marquise...
Uma casa é uma casa é uma casa
que eu desenhava no chão,
ou furava portas na caixa de sapato.
A casa interior alguns perdem,
na barafunda da vida....
Perdi uma, perdeu duas.
A primeira casa é barriga
A segunda é o buraco da formiga,
E a lombriga mora nas tripas,
E quando chove casa não tem ripa.
Eu fui hippie e queria a tenda,
Mas desta liga ficou uma fenda,
Gustavo, dentro do brasileiro,
há o céu, o descampado e o mundo inteiro.
Uma casa pode ser um puteiro!
E tem a casa dos três porquinhos.
E a casinha de João e Maria.
Casa gelada sem alegria.
Uns caem do berço, que se não é casa...
Já é um terço.
Eu tão peregrina, busco a casa na rima.
Se quero edícula não sou ridícula,
Não busco a parte do latifúndio...
A edícula é um pé rumo à rua.
Porque aqui sou torcida à pua.
Mas ainda num canto...
Cumprindo a sina...
Jogando pãozinho na floresta
Pra não me perder de mim.
Na edícula não sou brasileira,
sou a borboleta duma vida inteira,
Vendo a mulher na senzala,
enquanto a dona fumava na sala.
Busque no Rosa a língua casa de todo brasileiro,
Hoje sem lua e luar do sertão,
Carrego feito eles a terrina,
Curvando-me às bugigangas da China.
Esquecendo-me do aió lotado de cana.
E boa farinha da literatura antiga.
de vozes velozes veludosas vozes,
hoje atrozes no congresso nacional.
Arranco-me do país torto,
Da maioria dos brasileiros de quem roubaram palavra
e antes do antes a lavra de minério.
Arranco-me do hemisfério.
E da mentira de que sou culpada,
ter nascido classe-média é fria, é gelada.
Bolha dentro a bolha, furo-a com o espinho da rosa.
Sou eu e não a culpa da elite
de que se fui calharam-me as letras,
rolo na chuva encalhada no escorregadio telhado.
Existência não tem brasilidade.
Não tenho casa e nem lei de gravidade.
Sou pé afundado na lama,
sou asa presa na vidraça,
Sou boi fugindo da faca.
Não me culpe do sangue do povo,
Não me me coloque no coro!
Que minha harmonia é a da estrela Dalva.
Que minha vida sou eu quem salva.
Da virginal tristeza de quem nasceu no Cafezal.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

TESE DO DIA...SOBRE POETAS E GRANDEZAS


VIDA CHUVISCADA


Já tive uns trinta blogs e ainda mantenho alguns, mas para as aulas.
Hoje prefiro escrever minhas agrurazinhas no facebook.
E hoje hoje mesmo, por sinal, não tenho agrurazinha alguma para falar. Nada para me queixar.
Sem sal nesta manhã.
Só inventei uma tese para a qual não tenho argumentos. Sou bem ignorante, essa, a verdade. Faltam-me fontes e fatos.
Culpa todinha da minha mega super falta de concentração.
E essa dispersão é culpa do quê? Sempre busco causas e culpas.
Há teses para o desperdício que fiz de mim, moi, eu mesma. Mas não valem a pena ser defendidas. Falta pouco tempo para dar conta da vida neste planeta tão .... Culpado?
Culpa da PUC! Arrumo culpas alheias.
É sempre bom achar a causa da causa. E a culpa.
Culpa mesmo foi da professora que não me deu a medalha de primeiro lugar. Mas se eu só tinha tirado dez o ano todo?
Pobre menina tímida e asmática. Só estudava e usava a bombinha.
Asmáticos são chiques com sua bombinha.
Sim, ponto, achei a culpa. A culpa é da professora que já morreu. Dona Iara, com seu laquê nos cabelos brancos e, óculos gatinho.
Claro que é sempre bom culpar alguém quando não sabemos o que houve conosco.
"Vida noves fora zero", disse Bandeira.
Perfeição né? Não tenho isso de perfeição. Nasci com dentes pra fora, olheiras enormes e bronquite. Pés chatos como os de um pelicano.
Essa dispersão de tudo, essa vida desossada, chuviscada....


Corrupção no País


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

a história das multas dos prefeitos

O ideal seria nos entendermos, nós, vizinhos e, cidadãos paulistanos. Tudo com jeitinho, os ânimos não estão pra peixe. Aliás, os peixes, como é que podem viver fora da água fria?
Mas acho que isso, de compreensão, todos unidos na falta de água, não vai dar certo. 
(...)
Inventei de lavar a louça com um balde dentro da pia. A água que cai é vasta! Faz dois baldes. Poderia ir agora lá fora e jogar  essa água na grande escada de frente.
Mas, com a história das multas dos prefeitos, melhor não fazer isso. O vizinho da frente vai implicar, o do lado, quiçá. Não arrisco. Não tenho amigo delegado.
O que fazer com a água economizada? Pensar.

sábado, 24 de janeiro de 2015

selfie do vovô


 Aos quinze entendeu que não amava ninguém. Casou-se com Odília, pra se divertir na festa de casamento. E queria cuidar duma mulher carente. Não amou os filhos, fingia. E se enfurnava no consultório,o médico operador.A mulher só queria um marido pra contar problemas e dormir 'de conchinha'. Depois, os netos. Saco! Fingir-se de vovô. Mas surgiu o selfie. E desde aí descobriu amor intenso quando posava com os meninos e colocava as fotos no facebook.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A chacrinização do estudo do Português, um texto de Rose Marinho Prado

- Tudo é ficção, quem escreveu isso foi Dona Emerenciana Aleixo .
Podia ter bidodinho, mas era quase sempre arrogante. Isso até por volta de 1980. Odiado. Até por Drummond. Depois o assassinaram, ou melhor, assassinaram a espécie. Enterrado, pensou-se em substituí-lo por um comunicador que entendesse as funções da linguagem de Jakobson. Chacrinha em alta.
E assim a entidade quase mediúnica que era o professor de Português, deixou a escola pátria. E a nossa língua não mais viveu a saborosa união antropofágica com os anglicismos. O inglês a devorou. Nhoc! O people enfraquece. Por essa Oswald de Andrade não esperava!
E a humanidade perdeu com isso, porque se esse chato mestre vivia apoquentando com regrinhas da concordância verbal e nominal =- de acordo com os rigorosos preceitos da gramática escorreita! - ele garantia o respeito ao idioma dos eruditos. Caminhemos, de bonde com a erudito e o popular. Passeio doce, eclético, íntegro.
E ai que saudade tenho de quem me ensinava que o verbo concorda com o sujeito. Se eu lhe disser que entender de sintaxe acaba com a angústia porque dá clareza ao que você diz? Posso provar, mas teria de fazer uma tese e, iche! Puc não mais. Tempo passou. E aquilo é uma chatice!
Na Puc enfatizavam ser impossível saber o sujeito, tudo depende da intenção do falante! As professoras erravam o verbo na lousa. Uma vez corrigi , de raiva. A fulana me predeu na matéria dela, a linguística. Não fui à formatura cuja paraninfa era Lígia Fagundes! Para elas o bom era o O projeto hjelmsleviano e a semiótica francesa. Os alunos boiavam. Nem iriam precisar disso no seu cotidiano de trabalho. Puc, embrião para o pós. Atchim!
Assim foi. assim é. Mas o bom brasileiro na hora de fazer uma petição não precisa dos teóricos, nem da metalinguagem. "Veja em Machado da metalinguagem!" - essa porcaria virou o ensino da Literatura neste país. Catar a metalinguagem do Machado, debulhar texto e transformá-lo em pó.
E o professor Pasquale ( ótimo, sempre) na TV Cultura ia e vinha. Falava da concordância na normal culta para logo depois mostrar a letra do Chico que quebrava essa norma. Que raiva eu tinha dessas aulas. Primeiro passa a norma e deixa o povo quebrar! Se passa e quebra tudo vira farelo.
Isso não vai ajudar a nossa classe, a dos professores de português, os chatos e com bigode. Sou mulher, coloque um birotinho. Sou a dona de birote.
E sei que o bom brasileiro precisa muito de quem lhe diga todos os dias: " dê-me um cigarro". Os concursos ainda pedem isso!
E para terminar, tasco outro assunto, a semiótica (fica p outro dia). Quero dizer que essa tal semiótica, do Leme ao Pontal, a pior coisa do mundo pra acabar com o interesse dum sujeito pela literatura.